A Síndrome de Burnout é uma doença que afeta milhares de pessoas ao redor do mundo. É normal sentir cansaço após uma semana de trabalho intenso, mas é preciso ficar de olho nos sinais que o corpo transmite.
Isso porque, estresse e exaustão em excesso podem ser um indício de que há algo de errado. Para entender melhor o que é e como identificar essa síndrome, basta continuar com a leitura!
O que é a Síndrome de Burnout?
O Burnout, que em tradução livre significa “esgotamento”, foi definido como um distúrbio psíquico de estresse físico e mental crônico com relação ao ambiente de trabalho e condições desgastantes.
Também chamado de esgotamento profissional, a Síndrome de Burnout foi, pela primeira vez, descrita pelo psicólogo clínico Herbert J. Freudenberger, por volta de 1974.
Freudenberger descreve a síndrome como um conjunto de sintomas inespecíficos, médico-biológicos e psicossociais no ambiente de trabalho, como uma consequência do excesso de estresse e esgotamento de energia.
Nos dias de hoje, Burnout ficou definida por três fatores, que são:
- Exaustão emocional (depleção da energia emocional pela demanda excessiva de trabalho);
- Despersonalização (senso de distância emocional dos pacientes ou do trabalho);
- Baixa realização pessoal (sensação de baixa autoestima e baixa eficácia no trabalho).
Isso significa que, essa síndrome trata-se do estresse crônico resultante do cansaço físico e emocional do trabalho. A SB é tida como a doença do trabalho e com direito da pessoa se afastar das atividades por 15 dias.
Além disso, já é vista como um problema de saúde pública, tendo em vista que sua ocorrência aumentou em grandes níveis nesses últimos anos.
Como a Síndrome de Burnout afeta os profissionais da saúde?
Qualquer um pode sofrer com a Síndrome de Burnout, mas não há dúvidas de que os profissionais da área da saúde são os mais suscetíveis a desenvolver essa doença.
Afinal, todos os dias eles lidam diretamente com emoções intensas e estresse. Seja por sofrimento, medo, morte, sexualidade, entre outros fatores.
Eles estão mais vulneráveis a um nível maior de estresse, bem como a uma maior exaustão, tanto física quanto psicológica. De acordo com um estudo feito por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, um em cada seis profissionais da área de saúde tem sintomas de Burnout.
Essa pesquisa foi feita com 715 profissionais de saúde de 36 hospitais públicos e privados do Brasil, entre eles:
- Médicos;
- Enfermeiros;
- Técnicos de enfermagem;
- Fisioterapeutas.
Todos eles trabalham em unidades de terapia intensiva (UTIs), no mínimo, 20 horas por semana. Entre eles, 125 demonstravam indícios de exaustão emocional, 120 de despersonalização e 107 de falta de realização profissional.
Como dito antes, todos estes são sintomas que indicam o Burnout. E, como cada um poderia marcar mais de uma opção no questionário, conclui-se que, cerca de 125 desses profissionais sofriam com esgotamento no trabalho.
O estudo ainda mostrou que 134 entre eles possuem os sintomas de ansiedade e 80 apresentam os sintomas de depressão. Tais sintomas podem ou não ter alguma associação com o Burnout.
Vale notar que, essa pesquisa foi feita antes da pandemia de Covid-19, em 2018.
Síndrome de Burnout na pandemia
A pandemia criou um cenário perfeito para o aumento de casos de Síndrome de Burnout. Não é novidade que a pandemia e toda a situação causou uma série de prejuízos para a sociedade como um todo e os trabalhadores sofreram grandes impactos.
Não é para menos que as menções à Síndrome de Burnout cresceram cerca de 42% nas sessões de terapia online no primeiro trimestre da pandemia, em comparação a igual período de 2019.
Um estudo com amostragem nacional que PEBMED fez, healthtech de conteúdo para médicos, revelou que cerca de 78% dos profissionais de saúde mostravam indícios da síndrome de Burnout no período da pandemia.
A prevalência foi a seguinte:
- 79% entre médicos;
- 74% entre enfermeiros;
- 64% entre técnicos de enfermagem.
A pandemia do novo coronavírus ainda tem gerado muitos impactos à saúde mental da população e dos profissionais de saúde, em principal daqueles que atuam direto na luta contra a doença na linha de frente.
A pesquisa ainda indicou que um dos principais fatores que contribuíram para o esgotamento dos profissionais foi o de atuar na linha de frente. A prevalência da doença é de 83% entre aqueles que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus, contra 71% que não atuam diretamente com a doença.
Além disso, há muitos outros fatores que também contribuíram para aumentar o esgotamento físico e mental desses profissionais, como a alta carga horária e também o maior medo por contaminação dos entes queridos.
Entre os profissionais de saúde que responderam a pesquisa, 70% eram mulheres, que tendem a acumular jornadas no trabalho e também dentro de casa.
Como identificar a Síndrome de Burnout?
De modo geral, a Síndrome de Burnout costuma ter três principais características: exaustão, menor identificação com o trabalho e sensação de redução da capacidade profissional.
Isso significa que, se você está se sentindo exausto, incapaz e não gosta do trabalho, pode ser um grande indício para procurar por ajuda. A seguir, confira quais são os principais sintomas de burnout, de acordo com o Ministério da Saúde.
- Cansaço excessivo, físico e mental;
- Dor de cabeça frequente;
- Alterações no apetite;
- Insônia;
- Dificuldades de concentração;
- Sentimentos de fracasso e insegurança;
- Negatividade constante;
- Sentimentos de derrota e desesperança;
- Sentimentos de incompetência;
- Alterações repentinas de humor;
- Isolamento;
- Fadiga;
- Pressão alta;
- Dores musculares;
- Problemas gastrointestinais;
- Alteração nos batimentos cardíacos.
Como tratar a Síndrome de Burnout?
Na maioria das vezes, o tratamento da Síndrome de Burnout consiste em fazer terapia. Dependendo da gravidade dos sintomas e do caso, pode ser que seja necessário tomar medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos.
O profissional de saúde também poderá sugerir ao paciente que faça algumas mudanças em seu estilo de vida. Como praticar exercícios físicos e relaxamento, que ajudam a aliviar o estresse.
Tirar férias também pode ser uma boa opção. Em qualquer caso, o ideal é buscar apoio profissional para evitar que esse problema prejudique cada vez mais o seu bem-estar e evolua para outras condições ainda mais graves.
Como você pôde ver, a Síndrome de Burnout é um problema sério que requer atenção e ajuda profissional, para evitar que os sintomas se agravem. Gostou do conteúdo? Compartilhe com os seus amigos e confira também outros posts em nosso blog!